Ô, dó!

6 09 2008

por Thiago Borges
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Não vou falar exatamente de jornalismo agora, mas de algo totalmente ligado ao jornalismo: assessoria de imprensa. Ô, dó! Como dizem por aí, ninguém entra na faculdade pensando em ser assessor de imprensa. Pelamordedeus! Porém, muitos vão parar nessa área porque é a única oportunidade que surge no mercado.

As empresas investem muito dinheiro em assessoria para depois economizar com propaganda. Vale muito mais ter seu nome estampado em uma matéria de jornal do que em um anúncio. A credibilidade é maior pois, no subconsciente do leitor, existe a idéia de que se tal empresa está ali é porque foi digna de notícia. Entretanto, muitas vezes a pauta foi plantada pelo assessor de imprensa. Algumas vezes eles até acertam, mas são poucos que conseguem.

O assessor de imprensa é quem faz o meio de campo entre a empresa e os jornalistas. Seu trabalho é facilitar o acesso da imprensa aos executivos de determinada empresa, mas muitas vezes acontece exatamente o contrário. Eles são contratados para dizer que aquilo que seus clientes querem que saia na imprensa. Se perceberem que determinada matéria pode ser prejudicial, pode esquecer! A pauta caiu!

Mas há de se reconhecer: vida de assessor não é fácil. Apesar de ter um salário médio maior que o de jornalista, os assessores têm de conviver com a idéia de que não estão atrás da verdade, mas sim do lucro para a empresa para a qual trabalham. Eles têm clientes, contas e metas para atingir. E imagine a pressão para atingir essas metas! É muito mais fácil para o assessor do banco do Brasil ou da FGV emplacar uma pauta do que para o cara que presta assessoria para uma empresa que aluga móveis de escritórios – sim, isso existe e eu recebo vários releases do tipo toda a semana.

Pois bem: imagine ter de escrever sobre doces ou narguilê, por exemplo, porque isso é a área de atuação de seu cliente. Depois, mandar para uma imensa lista de veículos de comunicação. Depois disso, ter de ligar para todos esses veículos para ver se receberam e, quem sabe, convencer o repórter a publicar a notícia. E, por último, torcer para que saia alguma coisa. Fora que você tem de acreditar no que está vendendo, pois se tentar enganar o jornalista do outro lado da linha, estará enganando a si mesmo. Isso por acaso é vida? Prefiro ganhar menos, trabalhar mais, mas estar convencido de que o que faço é [um pouco, só um pouquinho] mais limpo e mais próximo à verdade.


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Uma resposta

9 09 2008
Bruno Chagas

Comentário postado no Brasil Wiki!:

09/09/2008 – Bianca – Brasília
A descrição da vida de um assessor de imprensa está muito real neste texto. Mas avaliar a profissão como algo “sujo” ou “longe da verdade” é simplório demais. A comunicação corporativa tem suas diretrizes e também inclui ética. As discussões nesta área, hoje, já estão tão avançadas que tanto os jornalistas de redação quanto os clientes – e obviamente os próprios assessores – são capazes de compreender o exercício da atividade – incluindo suas metas, seus métodos e seus limites. Seria bacana ver, neste espaço, uma reflexão um pouco mais complexa do que esta apresentada hoje.

http://www.brasilwiki.com.br/noticia.php?id_noticia=6951

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