Olha quem sabe do que está falando

22 09 2008

por Bruno Chagas

Checagem e veracidade dos fatos são premissas básicas para fazer uma publicação jornalística que, mesmo pequena, obtenha respeito por parte do público. Quando não domina-se um assunto, a atenção para escrever sobre ele deve ser redobrada. Deslizes podem ter uma repercussão muito maior do que se espera: O que fica na mente do público muitas vezes não é a informação bem transmitida, mas o erro que foi motivo de piada.

Falta de base para informar e a voracidade por um furo de reportagem foram responsáveis, por exemplo, pelo equívoco gigantesco do Jornal Nacional na cobertura ocorrida minutos após a tragédia da colisão do vôo 3054 da Tam, cheio de passageiros contra um prédio da empresa aérea:

Eles tinham as imagens mas não tinham informação. O âncora começou a vomitar achismos. O vídeo foi parar, como percebe-se acima, no Youtube e aquele episódio não foi muito feliz para o JN. Boa noite.

Este caso foi bastante grave. Irresponsabilidade para aquele que intitula-se o jornal nacional, visto em todo Brasil, o que de fato é. Vamos a deslizes “menos graves”.

Jornalismo é checagem. E revisão. Há dois meses, o banqueiro e, com grande eufemismo, mal-caráter de carteirinha Daniel Dantas foi preso (Em seguida solto. E preso de novo. E solto) por conta das investigações da Operação Satiagraha (a PF e seus incríveis nomes de operações… Criatividade e bom gosto sempre fascinantes). Como conseqüência o Diário do Sul, jornal baiano, publicou a seguinte capa:

Está vendo a seta vermelha? Ela aponta para a fotografia Daniel Dantas, mais precisamente um dos primeiros resultados quando se digita o nome do indivíduo no sistema de busca do Google Imagens. O problema é que este é o Daniel Dantas ATOR global, E NÃO o Daniel Dantas banqueiro, ex-dono do Opportunity que foi preso na operação com nome esquisito (culto, mas esquisito) do Polícia Federal. O editor da publicação alegou que foi um erro de seleção já na montagem do jornal. Tá bom, essa passa. Eles deveriam contratar um diagramador mais esperto e ver como ficou o jornal pronto. Mas são nossos compatriotas, façamos vista grossa.

Esta troca de Daniéis foi reincidente. Acredito que nesta segunda vez foi falta de checagem editorial mesmo. Afinal, nosso amigos italianos não têm obrigação nenhuma de saber que Daniel é qual, não? A relação dele com uma certa empresa de telefonia de lá deve ser nova. O erro, idêntico ao do Diário do Sul, foi do La Stampa, jornal, como já dito, da Itália. A publicação, além de não saber qual é o banqueiro Dantas, também sucumbiu a googlismo. A foto usada está bem ao lado daquela que o periódico tupiniquim pegou.

Mas… Estou mastigando notícia velha. Já remoeram sobre estes fatos bem antes de mim. Para terminar então, devo mostra algo mais recente: O estadunidense Boston Globe não vê muita diferença em qual país latino é citado ou onde em suas capas. Afinal, todo mundo fala espanhol aqui embaixo mesmo… O Globe acertou no texto mas errou na chamada. Lá eles também não devem ver o jornal pronto.


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